30/08/16

TAGUAÚNA

TAGUAUNA

Íamos para um encontro anual em Furnas. Encontro de amigos de longa data e foi então que convenci alguns deles a me acompanharem nessa busca pela estaçãozinha de Taguaúna, a fim de resgatar um pouco da nossa memória ferroviária, levar um pouco de cultura aos amigos (que estavam a procura de um bom final de semana regado a cerveja e churrasco) e também espairecer um pouco a mente, andando pelos caminhos que outrora foram de ferro, hoje como pude ver de perto, são de terra e mato. Taguaúna é um prediozinho pequeno, no meio de uma propriedade particular cercada e, para entrarmos lá, tentamos pedir autorização, mas não encontramos ninguém próximo. Bem, daí, o que nos restou, foi atravessar a cerca de arame farpado e seguir mato adentro em direção do que achávamos ser o local exato da pequenina. E era! Taguaúna está em ruínas, mas seus dísticos ainda estão lá, legíveis e imponentes, pois não foram apenas pintados nos frontões, mas sim, esculpidos em relevo, o que deu vida “quase” eterna a eles…>>

14/07/16

SUINANA

POSTER SUINANA

Estava voltando de uma reunião de trabalho em São José do Rio Preto sentido Ribeirão Preto, quando decidi encontrar Suinana. Suinana? Mas o que seria Suinana afinal? Não sei até agora. Mesmo depois de boas pesquisas não consegui descobrir o significado da palavra. Poderia especular que seja algum nome de origem indígena, de algum tipo de planta, árvore, cobra? Enfim, como saber? Suinana fazia parte do Ramal de Nova Granada, desativado em 1966 e desde então a pequenina sobrevive, e digo mais, de forma louvável, pois está bem conservada e ainda servindo aos moradores da pequena vilinha…>>

28/06/16

MARACAJU

MARACAJU

Andei por lá, vi tudo com cuidado, cada detalhe, desde a plataforma, passando pela enorme e ainda imponente caixa-d’água com a inscrição “NOB”, pela “garagem” do auto de linha em bom estado bem em frente à estação, procurei o triângulo de reversão que já não existe mais, mas seu local está lá, tomado parcialmente pelo mato, dísticos ainda sobrevivem, enfim, pelas imagens que captei vocês terão uma ótima ideia do estado do local. Nunca fui um romântico e entendo perfeitamente as circunstâncias que levaram muitos trechos, ramais, linhas-tronco à extinção, mas não me peçam para ignorar isso. Simplesmente não consigo. É muito valor, história, trabalho e vida sendo destruídos pela falta de criatividade e capacidade de gestão do bem público… >>

02/05/16

PANDO*

Estive em Pando vindo de Punta del Este e seguindo para Montevideo. É uma cidade pequena, com cerca de 30 mil habitantes e que está localizada na região metropolitana da capital uruguaia. Andei por uns 10 minutos até que encontrei a estação, que, não para a minha surpresa, encontrava-se abandonada e depredada. Pichações, abandono, cheiro de urina e alguns adolescentes curtindo a sua maconha, e bem desconfiados de mim, visto que lá, o consumo é permitido. Fora isso, a realidade ferroviária do nosso vizinho não se difere muito da nossa. Linhas extintas, prédios em ruínas ou abandonados a própria sorte e material rodante enferrujando ou apodrecendo nos pátios dos “talleres” que ainda restam em operação por lá. Andei por toda a estação, apreciei a sua bela arquitetura, lamentei o seu estado e segui viagem. Infelizmente Pando não oferecia muitos atrativos além deste velho prédio… >>

12/04/16

VICTOR SUDRIERS*

VICTOR_SUDRIERS

A ferrugem é abundante, o grande girador, a enorme caixa-d’água, os vagões de madeira, as flores que crescem sobre os antigos desvios abandonados, que cenário! Corri por lá, enquanto a Néia (minha mulher) me seguia e me fotografava com todo aquele furor. Guindaste, plataforma, dísticos, placas, oficinas, cabine de controle, aço, ferro, madeira velha, tudo ali, pronto para ser registrado e, creiam, se eu pudesse, dormiria ali para poder explorar mais e mais, porém, tinha que seguir adiante e novamente acelerei o passo para registrar o máximo que pudesse. Fica aqui registrado o meu agradecimento ao segurança do local, cujo nome me foge da memória, que foi extremamente cordial e me deixou andar pelo local sem ressalvas, ato que, nos dias futuros, eu perceberia ser bastante raro, pois no complexo de Peñarol, nem entrar alguns metros eu pude… >>

24/03/16

BOSA*

BOSA

Inaugurada em 1899 a estação de Bosa tem, por onde quer que se pesquise, uma relevância interessante no tocante a sua arquitetura (?) que, sinceramente, estive no local e pude ver que não é nada demais, perto dos espetaculares prédios que temos enfurnados pelo interior do Brasil. Mas enfim, voltemos a Bosa, que era uma estação para escoamento de produtos agrícolas da região e que hoje fica as margens de uma grande rodovia denominada Autopista Sur. Chegar até ela não foi fácil, ninguém em Bogotá (motoristas de taxis) sabia muito a seu respeito, meu espanhol é parco, mas meu gestual e minha perseverança compensaram tudo isso… >>

24/03/16

ASSIS

ASSIS

Estive em Assis enquanto seguia viagem para o Mato Grosso do Sul e me acompanhavam pela jornada, a minha mulher Claudinéia de Marchi, meu sobrinho, e mais antigo parceiro de expedições, Jeferson Tomaz e a minha irmã, Carolina Tomaz. Mesmo assim, fiz questão de que parássemos em Assis para documentarmos a antiga estação da Sorocabana que, sinceramente já não inspira mais tantos olhares, como certamente já fez há tempos. Andei por lá, vi detalhes, senti na pele a energia que emana do lugar, andei sob o sol pelo seu grande pátio, vi a vila ferroviária, seus galpões antigos, os desvios, as placas na plataforma, a indicação da data de inaguração na porta em concreto, os detalhes das mãos-francesas em ferro, o prédio em dois pavimentos, a antiga locomotiva manobreira ornamental ao seu lado, tudo abandonado ou, se não, bastante descuidado… >>

20/02/16

PEDREIRA

PEDREIRA

Estive em Pedreira por três vezes e em todas elas pude ver um “mundaréu” de gente ao redor do prédio da velha estaçãozinha do ramal de Amparo. Como o local hoje é uma referência em comércio de artigos de artesanato, cerâmicas e afins, a vida ferve por ali nos finais de semana e feriados. O prédio está bem conservado, foi pintado recentemente de amarelo, e pelo que pesquisei, já foi azul e bege antes de assumir essa cor atual. Fica no meio de uma avenida/rodovia que liga Jaguaríuna a Amparo e chama a atenção de quem passa por ali. Andei, entrei, fotografei, filmei, especulei, admirei e vivi aquele momento da melhor maneira que pude, para que, exatamente como agora, eu o pudesse reviver em detalhes ao escrever este texto. Por lá, não havia placas de altitude, nem de quilometragem, também não encontrei a antiga caixa-d’água, e nem trechos de linha, desvios ou qualquer coisa que lembrasse o universo férreo, exceto claro, a própria estação. Plataforma, dísticos legíveis e cobertura suportada por mãos-francesas na entrada dos banheiros ainda estão lá e ao que parece… >>

10/01/16

JACARÉ

JACARE

Vai daqui, volta dali, numa dessas embrenhadas, eis que me deparo com nada menos do que um apiário, sim, eu estava dentro de uma criação de abelhas e obviamente isso não era nada bom. Alertei-os de forma comedida, sem fazer muito tropel e agradeci por ter conseguido sair daquela situação sem nenhuma picada. Desviamos daquela rota e voltamos ao curso do antigo leito. A uns 200 metros dali, conseguimos localizar os restos da estação, sua fundações, pisos e algumas paredes que ainda em pé, resistiam bravamente. Tudo ali estava tomado pelo mato e um calor monumental nos desetimulava a permanecer por muito tempo… >>

17/12/15

CORONEL PEREIRA LIMA NOVA

CEL PEREIRA LIMA NOVA

“Coronelzinho” apelidado assim por mim, devido ao tamanho diminuto, muito menor que a versão antiga dela, que está situada pouco a frente e fora do leito atual, foi por uns cinco anos apenas um vagão e só depois tornou-se de fato um ponto de “alvenaria”. Ao que parece, teve vida curta e funcionou por cerca de dez anos, tendo sido desativada com o fim dos trens de passageiros em 1997. Acho-a simpática, pequenina, resistente, enfim, sou um sonhador…>>