17/12/18

CEDRAL MERCADORIA

Quando chegamos, o que nos marcou profundamente, além dos olhares desconfiados dos moradores, foi a enorme silhueta da mulher, que contrastava com a luz da porta entreaberta do galpão, num misto de tristeza, desesperança e abandono. Olhá-la nos olhos é uma tarefa difícil, pela sua condição (vide fotos e mini-filme), pela falta de perspectiva e, pela agonia decorrente do pouco caso com todos ali. Cedral Mercadoria foi desativada pouco antes de 1986 e até hoje está lá, ainda marcando presença na realidade ferroviária local. E eu vi isso frente-a-frente! Infelizmente nada ali anima ninguém, nem nós… >>

07/10/18

BARRACÃO

Certa vez, resolvi subverter a ordem natural das coisas e olhá-la por outro ângulo, andei até o ponto aonde a linha faz uma grande curva e voltei, apenas para vê-la por outra posição, me permitir um novo prisma sobre algo já há muito conhecido. E não é que deu certo? A partir daquela experiência, pude entender que as nossas avaliações sempre estão vinculadas aos nossos pontos-de-vista, e foi o velho “Barracão” que me mostrou isso, com as suas diversas nuances, histórias e charme. Ali ainda estão os trilhos, descontinuados, mas lá, também o prédio, plataforma coberta, dísticos legíveis, casas da antiga vila, desvio, enfim, ainda muito se vê do que um dia foi um ponto ativo e altivo da história ferroviária da Mogiana. Pela sua facilidade de acesso e localização urbana, é um ponto onde se vê pessoas dedicarem alguns minutos das suas vidas andando e refletindo acerca do que um dia foi aquilo e se, um dia voltará a ser. Já vi gente jovem, velhos, crianças, todos por ali, ao redor da estação, brincando, contando “causos” e por vezes em silêncio, este sim, pertubador. Barracão é um pedacinho ainda conservado do que um dia Ribeirão Preto teve de história colonial, ferroviária e migratória. Barracão vive dentro de mim, e espero que isso dure muito ainda… >>

03/07/18

ELIHU ROOT

De Guabiroba à Elihu Root, não importa em que época ou denominação, por lá passaram desde a família real inglesa, até o elenco do filme Sinhá-Moça, além dos muitos anônimos cujas histórias certamente não são tão interessantes assim, mas que merecem a citação, pois a história não é feita somente pelo viés dos mais importantes não é mesmo? Elihu Root é um lugar forte, é uma viagem ao passado, um elo interessante, que ainda hoje une um país em formação a outro maduro, cheio de história e respeito pela história. Espero que nosso jovem país aprenda isso, e que a estação Elihu Root sirva como um sinal de despertar neste sentido. Se é que alguém está prestando atenção nela ou em mim, né? De lá, seguimos para Loreto… >>

17/04/18

ALFERES RODRIGUES

Com a porteira fechada, uma placa de Jesus e outra de um Pitbull bravo fixadas nela, eu deveria decidir o quanto queria mesmo conhecê-la de perto, pois dali em diante, tudo o que acontecesse obviamente seria de minha total “irresponsabilidade”. Aguardei alguns momentos e ao ver um veículo passar, questionei-os (eram dois), sobre se poderia entrar no local e me disseram que apesar dos avisos, eu deveria tentar (hummm…), sendo assim, lá fui eu para os braços de Jesus ou para a boca do Pitbull. Pulei a porteira e segui por uns 400, 500 metros no recorte por onde a linha passava até ver de frente o prédio e seus frontões. Cheguei devagar, quieto e quando estava bem próximo, pensei: E o Pitbull? Como correr 500 metros de um animal desses? (Lembrando que peso uns 125kg) Enfim, bati palmas a fim de encontrar Jesus antes do Pitbull, pois sempre vejo pessoas batendo palmas em igrejas e templos e isso costuma dar certo, e deu. Saiu da estação depois de um tempo, um homem de aproximadamente 50 e poucos anos, muito ressabiado…>>

05/07/17

MESTRE NOGUEIRA

O que mais me causou curiosidade (vejam o mini-filme), foi a televisão solitária no chão da sala de espera, possivelmente aguardando espectadores? Rerere… Depois dessa cena “Sui generis”, fui atrás de alguém que, por ali, pudesse me dar maiores detalhes e histórias do lugar, mas fora os cães, não encontrei ninguém ali naquele momento. Mestre Nogueira está lá, ainda em pé, desprovida de função prática, mas segue forte, como um corpo doente, frágil e esquecido por todos. Triste assim, mas real. De lá segui meu caminho, sempre correndo para aproveitar a luz do Sol e documentar mais uma estação…>>

21/06/17

PRATÁPOLIS

Passei por Pratápolis num final de semana em que ia até a represa de Furnas, para uma tradicional pescaria com os amigos e, sendo assim, aproveitei a jornada para documentar aquele trecho do Ramal de Passos. A estação, como poderão ver nas imagens e mini-filme, estava em muito bom estado, tendo sido reformada e pintada recentemente. Por ali, ainda estão todos os elementos do universo ferroviário, o que nos fez ter uma ótima ideia do que o passado nos oferecia em termos de qualidade e perenidade construtiva. Pátio, plataforma coberta, mãos-francesas, dísticos, placas de trens, de altitude, de quilometragem, trechos seccionados da velha linha, casas de turma, caixa-d’água, e, muitos, muitos pombos mesmo, tudo ali, contrastando o amarelo forte das paredes com o azul anil do céu, que insistia em nos brindar, com a sua hipnotizante beleza naquele dia de inverno. A estação não fez apenas de mim, um aficcionado pelo tema, um bobo sorridente…>>

15/06/17

LAGOA BRANCA

Esta estação fez parte da minha infância justamente pelo inusitado do seu nome: Lagoa Branca! Mas como uma lagoa pode ser branca, perguntava eu ao meu saudoso avô Pedro, em muitas das nossas viagens entre Ribeirão Preto e Aguaí. Eu passava por Casa Branca, por Lagoa Branca e daí já imaginava qual outra “Branca” surgiria pela frente naquelas viagens maravilhosas que fazíamos mensalmente. Que tempo! Lagoa Branca é um distrito de Casa Branca, e ali nas redondezas também existe um vilarejo chamado “Venda Branca”, também componente do clã “Branca”, imagino eu. Mas de volta a estação, tudo ali está parado no tempo, o prédio relativamente bem conservado, a plataforma coberta e funcional, os dísticos, caixa-d’água, ladrilhos, frontões, placa de altitude e quilometragem, desvios, enfim, um pátio ferroviário completo… >>

04/04/17

SAMPAIO MOREIRA

Estive em Sampaio Moreira acompanhado por dois amigos, o Miguel e o Luiz André, num dia lindo de inverno e o que vi naquele lugar me encheu os olhos. A estação construída em 1912 pela Companhia Mogiana no Ramal de Cajuru, servia para escoamento de produtos da região, em especial o café e era a penúltima no sentido final, o de Cajuru. Localizada dentro da Fazenda Santa Cecília, está em pé, mantendo sua arquitetura original e relativamente bem cuidada, apesar de não haver um uso específico para o prédio. Plataformas, dísticos, frontões, assoalhos, guichês, lousas e algumas construções ao fundo, compõem o cenário ferroviário do local. Da caixa-d’água, apenas a base está lá e os trilhos já se foram também. Ali, o trecho foi desativado em 1966 e de lá para cá, a sorte da estação, foi estar numa propriedade onde visivelmente se dá valor ao passado. Andei pelo lugar, vi uma espécie de museu composto por ruínas de usina, terreiros, a própria estação, enfim, tudo conservado e exposto a quem ali conseguir chegar. Muito embora haja uma cerca e um portão enorme, entrei sem problemas… >>

14/03/17

VISCONDE DO RIO CLARO NOVA

Estive em Visconde do Rio Claro Nova, vindo de São Carlos e apesar de nunca ter passado por aquele trecho, sempre ouvia amigos moradores daquela região contarem sobre uma estaçãozinha simpática e abandonada as margens da Rodovia Washington Luís e, a curiosidade tornou-se um poderoso combustível para essa visita. Chegamos cedo, exploramos o lugar, o dia estava lindo e isso ajudou na coleta de generosas imagens. A estação foi construída em 1916 para substituir e suceder a versão antiga, que estava (ou ainda está) localizada do outro lado da rodovia, de onde partia o Ramal de Analândia. O prédio está abandonado, seus dísticos ainda estão lá bem visíveis, há também uma caixa-d’água, plataforma já sem cobertura e as placas de concreto com os nomes da estação também se mantém por lá no meio do mato alto. Andamos, entramos, vimos tudo depredado, vandalizado, porém resistindo a tudo isso, como que se pedisse por uma nova chance para voltar a servir a um propósito. Visconde do Rio Claro Nova deixou de funcionar antes de 1977 e hoje é apenas um prédiozinho simpático quando visto de longe… >>

02/03/17

ENGENHEIRO GOMIDE

Estive em Engenheiro Gomide junto com meu amigo e grande colaborador do Projeto, Pedro Gandra e pudemos ver de perto a estação “Fazenda Pinheiro” ops, Engenheiro Gomide, nome este relacionado ao engenheiro Cândido Gonçalves Gomide, que contribuiu destacadamente para o nascimento daquele trecho da Companhia Mogiana entre Mococa e São José do Rio Pardo. Aberta em Agosto de 1889, foi fechada em 1957 equanto o restante do ramal se manteve ativo até 1966. Andamos por lá, vimos o seu uso atual como depósito de materiais agrícolas e implementos, e tentamos captar o máximo de material possível, visto que o prédio encontra-se numa propriedade particular e mesmo tendo procurado alguém para nos guiar e falar um pouco sobre o local, naquele dia, ninguém estava por lá… >>