21/01/12

CERRADO

DATA DA EXPEDIÇÃO: 24.09.2011
DESTINO: Estação Cerrado
LOCALIZAÇÃO: Município São Simão – SP
COORDENADAS: 21°32’56.21″S 47°27’38.36″W
TRILHOS NO LOCAL: Não
ANO DA CONSTRUÇÃO: 1892
CONSTRUÇÃO: Companhia Mogiana de Estradas de Ferro
STATUS DO PRÉDIO: Em pé, muito bem conservado, particular e servindo de moradia
EQUIPE DE VIAGEM: Marcelo Tomaz e João Julio Oliveira

O FILME:

RESUMO DA EXPEDIÇÃO:
Encontramos Cerrado por acaso. Estávamos atrás de Santos Dumont Nova, já havíamos passado por São Simão, entrado numa enorme mata de eucaliptos, quase atolado o carro num areião, até que nos deparamos com a estação que julgávamos ser Santos Dumont, mas não, era Cerrado. Assim, de novo fomos testar nossas habilidades sociais, eu e o João Julio tínhamos que entrar no local que hoje é um sítio, para conseguirmos as imagens que queríamos e assim foi feito. Tivemos que gesticular da porteira que fica bem longe da sede do sítio, até que o caseiro pudesse nos ver e ir até lá nos atender. A partir daí conseguimos conversar com o proprietário que nos autorizou a colher imagens do local, não sem antes comentar que há algum tempo andaram fotografando por lá sem o seu consentimento e as fotos foram para na internet, fato que não o agradou muito. Mas conosco foi diferente, ele até nos acompanhou pelo local, contando um pouco da história e nos mostrando diversos detalhes da velha estação. Lá estavam bem conservados, a caixa-d’água, o prédio, seus dísticos, as placas das passagens de nível, as placas de altitude e quilometragem, as casas da vila ferroviária e até uma singela capelinha com detalhes bem interessantes (vide imagens da galeria e mini-filme). Foi uma grata surpresa termos encontrado Cerrado e valeu cada minuto, de lá seguimos para Santos Dumont Nova, mas isso já é outra história.

UPDATE DO POST EM 22.09.2015:
Enviado por Manuel Pacheco Neto.
“Esta estação tem uma história conhecida na região. Foi lá que o célebre matador Diogo da Rocha Figueira (Dioguinho) cometeu o famoso “Crime da Estação de Cerrado” no final do século XIX, juntamente com seu irmão João Dabney e Silva (Joãzinho). Diogo foi contratado pelo fazendeiro Manoel Ferreira, para que matasse Marciliano Pereira Machado Sobrinho, pois o mesmo estava flertando com Balbina de Jesus, que era amante do já nomeado proprietário rural. Diogo, seu irmão e alguns capangas se dirigiram à estação, foram à casa de Balbina (que morava nas proximidades) e deram nela uma forte surra de rabo de tatu, além de raspar-lhe a cabeça. Depois foram à cavalo até as proximidades da plataforma da estação de Cerrado, para aguardar a chegada de Marciliano, o homem que deveriam matar. Ao chegar à estação Marciliano avistou Diogo e tentou evadir-se entre os trens que estavam estacionados no pátio, mas foi alcançado pelo bando e atingido com cinco tiros de carabina, dois disparados por Diogo e três pelo seu irmão. O cadáver do executado foi conduzido mato adentro, até a divisa dos municípios de São Simão e Santa Rita do Passa Quatro, onde foi deixado. Os detalhes da crueldade de Dioguinho são muitos e célebres neste episódio da Estação de Cerrado. Por isso não os narraremos aqui. O crime ocorreu em fevereiro de 1897 e foi decisivo para que a polícia da capital viesse para a região de Ribeirão Preto e iniciasse uma caçada sem tréguas, até que o famoso criminoso e seu irmão foram emboscados no rio Mogí Guassú e fuzilados, no início de maio do mesmo ano. O corpo de Dioguinho, que caiu da canoa e afundou, nunca foi achado. O de seu irmão foi encontrado dois dias depois. Até hoje uma cruz existe nas margens do Mogí, assinalando o final da carreira de crimes de Diogo e seu bando, nas terras nomeadas Santa Eudoxia, de propriedade do Visconde de Cunha Bueno e de seu filho, o senador Alfredo Ellis…”

FOTOS DO LOCAL:

MAPA DO LOCAL:

POSTER DA ESTAÇÃO:
A cada estação visitada, seleciono uma imagem que julgo melhor refletir a expedição e a transformo num poster, unindo texto e imagem numa combinação de apelo bastante visual.

POST ABERTO À COLABORAÇÃO:
A partir da publicação de cada post inicial pelo autor, fica aberto aos colaboradores e interessados, o envio de materiais para mantermos atualizadas as informações sobre cada estação. Este site tem como principal objetivo resgatar através imagens, vídeos e textos um pouco da história ferroviária do país. Todo o conteúdo de cada post inicial é original e produzido pelo próprio autor e sua equipe de viagem, visando contribuir de fato, para o crescimento do acervo de informações sobre cada estação, sua história e seus personagens.

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6Comentários

  1. 01/08/12 às 0:22
    estanciaesplanadacerrado:

    Digite sua mensagem…

  2. 18/08/13 às 5:49
    marcos antonio silva.:

    os trilhos já não existe mais neste trajeto por qual motivo de desativações destá estação com suas belas casas ao longo desses trajetos . não se pode pensar o que vai acontecer daqui algun momentos boa sorte. BOA SORTE A NÓS TODOS.ABS.

  3. 19/08/13 às 3:52
    marcos antonio silva.:

    olhando mais uma vez nesté cenário que podemos ver. que a antiga estáção está completamente bém conservada ao contrário das casas que fazem parte da antiga estação algumas relativamente está em mal estádo de conservação pelo atuais moradores. será que vão deixar á própria sórte ou não.abs

  4. 22/09/15 às 19:47
    Manuel Pacheco Neto:

    Esta estação tem uma história conhecida na região. Foi lá que o célebre matador Diogo da Rocha Figueira (Dioguinho) cometeu o famoso “Crime da Estação de Cerrado” no final do século XIX, juntamente com seu irmão João Dabney e Silva (Joãzinho). Diogo foi contratado pelo fazendeiro Manoel Ferreira, para que matasse Marciliano Pereira Machado Sobrinho, pois o mesmo estava flertando com Balbina de Jesus, que era amante do já nomeado proprietário rural. Diogo, seu irmão e alguns capangas se dirigiram à estação, foram à casa de Balbina (que morava nas proximidades) e deram nela uma forte surra de rabo de tatu, além de raspar-lhe a cabeça. Depois foram à cavalo até as proximidades da plataforma da estação de Cerrado, para aguardar a chegada de Marciliano, o homem que deveriam matar. Ao chegar à estação Marciliano avistou Diogo e tentou evadir-se entre os trens que estavam estacionados no pátio, mas foi alcançado pelo bando e atingido com cinco tiros de carabina, dois disparados por Diogo e três pelo seu irmão. O cadáver do executado foi conduzido mato adentro, até a divisa dos municípios de São Simão e Santa Rita do Passa Quatro, onde foi deixado. Os detalhes da crueldade de Dioguinho são muitos e célebres neste episódio da Estação de Cerrado. Por isso não os narraremos aqui. O crime ocorreu em fevereiro de 1897 e foi decisivo para que a polícia da capital viesse para a região de Ribeirão Preto e iniciasse uma caçada sem tréguas, até que o famoso criminoso e seu irmão foram emboscados no rio Mogí Guassú e fuzilados, no início de maio do mesmo ano. O corpo de Dioguinho, que caiu da canoa e afundou, nunca foi achado. O de seu irmão foi encontrado dois dias depois. Até hoje uma cruz existe nas margens do Mogí, assinalando o final da carreira de crimes de Diogo e seu bando, nas terras nomeadas Santa Eudoxia, de propriedade do Visconde de Cunha Bueno e de seu filho, o senador Alfredo Ellis…

  5. 22/09/15 às 20:16
    marcelo:

    Uau Manuel, que história! Vou incluí-la no post com seus créditos, ok? Muito obrigado pela contribuição viu!

  6. 09/10/15 às 15:36
    Manuel Pacheco Neto:

    Olá Marcelo, fico satisfeito que o relato tenha servido. Tenho muitas histórias e relatos ligados à ferrovia, pois descendo de uma família de ferroviários (avô, pai e tios). Quero parabenizar o excelente trabalho que vem realizando neste projeto.

    Manuel Pacheco

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