17/11/13

BALDEAÇÃO

GALERIA
Nesta seção, passo a publicar contribuições enviadas pelas diversas pessoas que apreciam e apoiam o Projeto. São normalmente, imagens das suas vivências, e memórias de cada local por elas visitado. Assim, além de servirem como sugestão de roteiros para as próximas expedições, também são vistas e compartilhadas por quem por aqui passar.

ESTAÇÃO BALDEAÇÃO / Santa Cruz das Palmeiras – SP
Por Douglas Bulhões e Humberto Alvarenga Junior

Conteúdos Relacionados:

2Comentários

  1. 24/09/15 às 15:01
    Frederico Augusto Pereira:

    A estação Baldeação possui uma história intrigante. Ela fez algo raro: unia numa mesma estação uma linha da Mogiana e outra da Cia. Paulista (Ramal Santa Veridiana). E por qual motivo isso ocorreu? A história é mais interessante ainda. No idos do final do século XIX havia sido definido que na margem norte do Rio Mogi Guaçu a concessão seria da Cia Mojiana (por isso o nome). A Cia Paulista, por sua vez, ficaria com as cidades da margem sul, tais como Araras, Leme, Pirassununga e Porto Ferreira (que até então não existia e só passou a existir graças ao porto que foi criado junto a estação de trem, as margens do Rio Mogi Guaçu, que trazia pelo rio o café produzido na região de São Simão).
    A questão é que a Fazenda Santa Veridiana e a grande parte das Fazendas do Município de Santa Cruz das Palmeiras pertenciam à família Prado; Por uma briga entre famílias – por razões comerciais e política – a família Prado não era acionista da Cia. Mojiana, que tinha boa parte de suas ações pertencentes a rivais. Ai aconteceu algo surreal: como a família Prado transportaria a enorme produção de seu café? A lógica seria usar a linha da Mogiana, distante poucos quilômetros da Fazenda Santa Veridiana; Porém, era inimaginável usar os trilhos dos rivais para transportar seu café! Sendo assim, num esforço incomum (e inimaginável nos dias de hoje) a Família Prado (acionista da Cia. Paulista) bancou do seu próprio bolso boa parte dos custos para construir o Ramal Santa Veridiana, que saia de Pirassununga e passava por Laranja Azeda, Emas, Baguaçu, Santa Silvéria, Palmeiras e Santa Veridiana, cruzando a fronteira do Rio Mogi Guaçu naquela bela ponte que vocês mostraram nas fotos da Estação Baguaçu. Durante décadas as duas linhas (Mogiana e Paulista) não se conectaram, não obstante o espaço exíguo entre elas.
    Após a reconciliação da família Prado com as famílias acionistas da Cia Mogiana, decidiram selar a paz através da construção da Estação Baldeação. Num primeiro momento uma linha de trole ligava a estação Santa Veridiana até a Baldeação. Depois, estenderam o ramal da Paulista até lá, com a Mogiana fazendo o mesmo (a Conexão com o ramal principal da Mogiana era na estação Coronel Corrêa, que como você mesmo relatou possuía duas plataformas, sendo uma delas a linha que vinha da Baldeação). Com o declínio do Café e o fim da era Ferroviária a estação Baldeação foi a primeira a ser desativada no Ramal (idos da década de 60). Em 1976 desativaram o Ramal todo, sendo que nos últimos anos, em razão da inexistência de rotunda na estação Palmeiras (que nos últimos anos foi o final do ramal, após a desativação da Santa Veridiana), os trens à vapor retornavam a Pirassununga em marcha á ré, o que diminuía em muito sua velocidade e levava o maquinista, no mais das vazes, a deixar parte dos vagões na Estação Santa Silvéria para conseguir vencer o “subidão” que antecipava a estação Baguaçu com duas viagens.

  2. 24/09/15 às 16:07
    marcelo:

    Uau Frederico, muito boas as suas informações viu! Quando criei este Projeto, minha idéia era justamente essa, de que pessoas pudessem diariamente enriquecer estas postagens e torná-las um ponto de encontro entre gente que viveu este universo. Muito obrigado!

Deixe seu Comentário