14/03/17

VISCONDE DO RIO CLARO NOVA

POSTER VISCONDE RIO CLARO NOVA

Estive em Visconde do Rio Claro Nova, vindo de São Carlos e apesar de nunca ter passado por aquele trecho, sempre ouvia amigos moradores daquela região contarem sobre uma estaçãozinha simpática e abandonada as margens da Rodovia Washington Luís e, a curiosidade tornou-se um poderoso combustível para essa visita. Chegamos cedo, exploramos o lugar, o dia estava lindo e isso ajudou na coleta de generosas imagens. A estação foi construída em 1916 para substituir e suceder a versão antiga, que estava (ou ainda está) localizada do outro lado da rodovia, de onde partia o Ramal de Analândia. O prédio está abandonado, seus dísticos ainda estão lá bem visíveis, há também uma caixa-d’água, plataforma já sem cobertura e as placas de concreto com os nomes da estação também se mantém por lá no meio do mato alto. Andamos, entramos, vimos tudo depredado, vandalizado, porém resistindo a tudo isso, como que se pedisse por uma nova chance para voltar a servir a um propósito. Visconde do Rio Claro Nova deixou de funcionar antes de 1977 e hoje é apenas um prédiozinho simpático quando visto de longe… >>

02/03/17

ENGENHEIRO GOMIDE

ENGENHEIRO GOMIDE

Estive em Engenheiro Gomide junto com meu amigo e grande colaborador do Projeto, Pedro Gandra e pudemos ver de perto a estação “Fazenda Pinheiro” ops, Engenheiro Gomide, nome este relacionado ao engenheiro Cândido Gonçalves Gomide, que contribuiu destacadamente para o nascimento daquele trecho da Companhia Mogiana entre Mococa e São José do Rio Pardo. Aberta em Agosto de 1889, foi fechada em 1957 equanto o restante do ramal se manteve ativo até 1966. Andamos por lá, vimos o seu uso atual como depósito de materiais agrícolas e implementos, e tentamos captar o máximo de material possível, visto que o prédio encontra-se numa propriedade particular e mesmo tendo procurado alguém para nos guiar e falar um pouco sobre o local, naquele dia, ninguém estava por lá… >>

26/02/17

ENGENHEIRO SCHMITT

ENG_SCHMITT

Em “Schmitt (dt)” pude contemplar não só a mágica ferroviária acontecendo em tempo real, como também pude ver e sentir a magia da relação entre pai e filho (Marlon e Sr. João) ao se depararem com situações inusitadas e novas, suas reações, descobertas, seus diálogos, a imensa sabedoria de toda uma vida, que o Sr. João gentilmente compartilhou conosco, enfim, foi uma jornada em que ganhamos todos certamente. O Sr. João, ganhou até banana e chuchus durante a expedição, mas isso fica para uma outra vez. De lá, seguimos em frente, pois o dia estava ficando curto, bem curto para tantas aventuras… >>

07/02/17

BARRACÃO

BARRACAO

Certa vez, resolvi subverter a ordem natural das coisas e olhá-la por outro ângulo, andei até o ponto aonde a linha faz uma grande curva e voltei, apenas para vê-la por outra posição, me permitir um novo prisma sobre algo já há muito conhecido. E não é que deu certo? A partir daquela experiência, pude entender que as nossas avaliações sempre estão vinculadas aos nossos pontos-de-vista, e foi o velho “Barracão” que me mostrou isso, com as suas diversas nuances, histórias e charme. Ali ainda estão os trilhos, descontinuados, mas lá, também o prédio, plataforma coberta, dísticos legíveis, casas da antiga vila, desvio, enfim, ainda muito se vê do que um dia foi um ponto ativo e altivo da história ferroviária da Mogiana. Pela sua facilidade de acesso e localização urbana, é um ponto onde se vê pessoas dedicarem alguns minutos das suas vidas andando e refletindo acerca do que um dia foi aquilo e se, um dia voltará a ser. Já vi gente jovem, velhos, crianças, todos por ali, ao redor da estação, brincando, contando “causos” e por vezes em silêncio, este sim, pertubador. Barracão é um pedacinho ainda conservado do que um dia Ribeirão Preto teve de história colonial, ferroviária e migratória. Barracão vive dentro de mim, e espero que isso dure muito ainda… >>

06/02/17

LA FLORESTA*

LA_FLORESTA

A estação La Floresta está a pouco mais de um quilômetro do balneário homônimo, na antiga e desativada linha que ligava Montevideo a Punta del Este. Com uma população de aproximadamente 1.500 habitantes, o local está entre as estações de Parque del Plata e Piedras de Afilar, bem no meio de uma floresta (?) de eucaliptos, de onde imagino derivar o seu nome. Fui até lá acompanhado da Néia, minha esposa e por lá, explorei todo o local, atualmente convertido em uma espécie de pronto-socorro, fechado naquele dia. Um armazém feito de chapas de metal, bem ao estilo de outros que vi por lá, completava o complexo da estaçãozinha, com postes de sinalização férrea, linha ainda com lastro, dormentes e trilhos seccionados e algumas placas. É um local tranquilo, e que deixa claro a passagem do tempo, gerando uma certa melancolia. Como o céu estava nublado, é possível que o ar de abandono, misturado com ferrugem tenha me contaminado um pouco… >>

26/01/17

CHAVE DA TAQUARA

CHAVE TAQUARA

Visitamos a Chave da Taquara de forma bastante casual pois, seguíamos de Cristais Paulista, sentido Pedregulho, quando vimos uma placa indicando o local e então, entramos para ver o que havia por lá. É uma vilinha simples, pequena, bastante tímida mesmo, por lá são pouquíssimas casas (provavelmente menos de dez), e não há sinais nem da linha, e muito menos do “famoso” desvio que originou o nome “Chave da Taquara”. O povoado nasceu a partir da chegada de trabalhadores do café e da ferrovia, sendo em sua maioria, baianos e italianos. Era muito cedo, o sol estava nascendo e não havia ninguém por ali para nos esclarecer aonde de fato a linha passava e de onde saia o pequeno ramal lenheiro. Andamos pelo lugarejo, sob o clima ameno da manhã, vimos cada detalhe, desde a bela igreja, até o galpão de festas e um campo de futebol, então seguimos viagem, pois esta era apenas a segunda estação, de quatorze que percorreríamos naquele dia… >>

23/01/17

GUARÁ NOVA

GUARA NOVA

Infelizmente Guará Nova é apenas uma lembrança para nós, pois nem mesmo para o maquinista da composição ela faz ou fez alguma diferença. Daquela expedição, aprendi que devemos ir até o fim nas nossas buscas, pois se estivéssemos desistido logo ao entrarmos no pátio repleto de mato, não teríamos encontrado o seu local exato e também percebi que nem sempre as pessoas são o que aparentam. Mas é a vida…>>

20/01/17

IBATÉ

IBATE

Estive em Ibaté em 2011, numa fase ainda bastante embrionária do Projeto e comigo foram o Tio Zé e o meu amigo Raul Otuzi. Por lá, vimos o abandono absoluto do prédio que, pelo que pude apurar, desde idos de 1985, 1986, já estava dessa maneira, sem função. Andamos por todo o local, vimos a plataforma, grande por sinal, com uma parte ainda coberta por uma estrutura metálica envelhecida e enferrujada, os dísticos ainda estão lá, porém pintados no mesmo tom amarelo-gema do prédio, pouco se destaca, passando quase despercebido por quem se propõe a ir lá visitá-la. Telhas quebradas, aquelas que geram um som característico ao pisar, davam o tom do descaso com o legado ferroviário ali naquele local… >>

02/01/17

PIEDRAS DE AFILAR*

DCIM100GOPRO

Chegando, vi um prédio simpático, bem ao estilo de outros da mesma linha que havia visitado anteriormente, feito de chapas de lata e madeira, com um telhado vermelho que dava um charme ao local (para quem conhece, lembra o estilo construtivo do antigo casario do bairro argentino de La Boca, onde as casas eram feitas com restos de material náutico, pois está ao lado de um porto e este era um material barato e farto na época). Não havia dísticos no prédio, mas sua plataforma estava lá, a linha que há muito não é usada também marca presença, um grande armazém (também de lata) construído pouco a frente da estação chama a atenção pelo seu tamanho, e indica que por ali antigamente deveriam ter escoado bons volumes de mercadorias, os mastros altos e imponentes, embora enferrujados se fazem notar de longe, as placas de quilometragem e altitude em concreto que nem o tempo foi capaz de vencer dão a identificação ao lugarejo… >>

17/12/16

ALFERES RODRIGUES

ALFERES_RODRIGUES

Com a porteira fechada, uma placa de Jesus e outra de um Pitbull bravo fixadas nela, eu deveria decidir o quanto queria mesmo conhecê-la de perto, pois dali em diante, tudo o que acontecesse obviamente seria de minha total “irresponsabilidade”. Aguardei alguns momentos e ao ver um veículo passar, questionei-os (eram dois), sobre se poderia entrar no local e me disseram que apesar dos avisos, eu deveria tentar (hummm…), sendo assim, lá fui eu para os braços de Jesus ou para a boca do Pitbull. Pulei a porteira e segui por uns 400, 500 metros no recorte por onde a linha passava até ver de frente o prédio e seus frontões. Cheguei devagar, quieto e quando estava bem próximo, pensei: E o Pitbull? Como correr 500 metros de um animal desses? (Lembrando que peso uns 125kg) Enfim, bati palmas a fim de encontrar Jesus antes do Pitbull, pois sempre vejo pessoas batendo palmas em igrejas e templos e isso costuma dar certo, e deu. Saiu da estação depois de um tempo, um homem de aproximadamente 50 e poucos anos, muito ressabiado…>>