04/03/19

CRESCIÚMA

CRESCIUMA

Estive em Cresciúma por indicação de uma amigo, Fabio Rivaben, que ao cavalgar pela região, me disse que a estação merecia ser visitada e claro, documentada pelo Projeto Estações Brasileiras. Seu nome, ao que consta, era derivado de um engenheiro da Mogiana que trabalhou ali, mas também é o nome de um tipo de capim. Assim sendo, segui até lá com o meu Tio Zé, um companheiro assíduo de expedições ferroviárias. A estação encontra-se hoje dentro de uma fazenda e está cercada e fechada, tendo o seu acesso bastante restringido, o que é bom, pois acabou por preservá-la de vândalos. Imagino que esteja servindo de depósito da fazenda ou algo parecido. Cresciúma fazia parte do Ramal de Igarapava, que foi construído para servir as fazendas cafeeiras daquela região… >>

22/02/19

ITAÚ DE MINAS

POSTER ITAU

Era um dia maravilhoso e passávamos por Itaú de Minas seguindo para Furnas, daí o mais natural foi realmente pararmos para conhecer aquela joia que é a velha estaçãozinha da Mogiana em terras mineiras. Tudo muito conservado (fora reformada recentemente), linha, vagões, plataforma, postes, placas, caixa-d’água, dísticos… Nossa, quanta memória preservada! Estavam comigo amigos queridos e exploramos cada detalhe que ela nos permitiu. Fotos, vídeos, conversa com moradores, o sol no rosto, enfim, tudo fluiu de maneira perfeita naquele dia e lugar. Itaú foi inagurada em 1921, batizou a cidade e também a indústria de cimento que se localizava ali ao lado da estação. Itaú foi de fato, ponta do ramal de Passos por anos… >>

09/01/19

MANDEMBO

MANDEMBO

Sua função talvez seja atingir em cheio os corações de quem os observa, pois não passam de restos esquartejados de um passado que não volta mais. Plataforma, mãos-francesas, telhado, caixa-d’água, trilhos, dormentes, vila, tudo lá, como num diorama… forte, colorido, vivo, porém ao mesmo tempo definhando. Estar lá foi vivenciar um turbilhão de sensações múltiplas, contraditórias, introspectivas e porque não… indescritíveis.

04/01/19

CASCATA

CASCATA

Fui até a estação Cascata com vários amigos e também pesquisadores ferroviários especializados naquele trecho. Aproveito inclusive, para deixar aqui o agradecimento aos parceiros: Douglas Bulhões, Junior Alvarenga e Luis Fernando Pecchiore Bastos, pela companhia, pelo conhecimento compartilhado, pela disponibilidade, presteza e também pelo ideal, que os mantém até hoje na linha. Cascata está em pé, porém fechada e abandonada à sua própria sorte. Andamos por lá, vimos cada detalhe do prédio, e o quão triste é a constatação daquele descaso visto de perto e sem filtro algum. É um prédio grande, com a plataforma parcialmente sem cobertura, com as mãos-francesas já enferrujadas, portas e janelas em frangalhos, enfim, uma lástima. Por lá, ainda estão os dísticos, com uma tipografia marcante, no estilo Art Déco… >>

17/12/18

CEDRAL MERCADORIA

CEDRAL_MERCADORIA

Quando chegamos, o que nos marcou profundamente, além dos olhares desconfiados dos moradores, foi a enorme silhueta da mulher, que contrastava com a luz da porta entreaberta do galpão, num misto de tristeza, desesperança e abandono. Olhá-la nos olhos é uma tarefa difícil, pela sua condição (vide fotos e mini-filme), pela falta de perspectiva e, pela agonia decorrente do pouco caso com todos ali. Cedral Mercadoria foi desativada pouco antes de 1986 e até hoje está lá, ainda marcando presença na realidade ferroviária local. E eu vi isso frente-a-frente! Infelizmente nada ali anima ninguém, nem nós… >>

07/10/18

BARRACÃO

BARRACAO

Certa vez, resolvi subverter a ordem natural das coisas e olhá-la por outro ângulo, andei até o ponto aonde a linha faz uma grande curva e voltei, apenas para vê-la por outra posição, me permitir um novo prisma sobre algo já há muito conhecido. E não é que deu certo? A partir daquela experiência, pude entender que as nossas avaliações sempre estão vinculadas aos nossos pontos-de-vista, e foi o velho “Barracão” que me mostrou isso, com as suas diversas nuances, histórias e charme. Ali ainda estão os trilhos, descontinuados, mas lá, também o prédio, plataforma coberta, dísticos legíveis, casas da antiga vila, desvio, enfim, ainda muito se vê do que um dia foi um ponto ativo e altivo da história ferroviária da Mogiana. Pela sua facilidade de acesso e localização urbana, é um ponto onde se vê pessoas dedicarem alguns minutos das suas vidas andando e refletindo acerca do que um dia foi aquilo e se, um dia voltará a ser. Já vi gente jovem, velhos, crianças, todos por ali, ao redor da estação, brincando, contando “causos” e por vezes em silêncio, este sim, pertubador. Barracão é um pedacinho ainda conservado do que um dia Ribeirão Preto teve de história colonial, ferroviária e migratória. Barracão vive dentro de mim, e espero que isso dure muito ainda… >>

03/07/18

ELIHU ROOT

ELIHU ROOT

De Guabiroba à Elihu Root, não importa em que época ou denominação, por lá passaram desde a família real inglesa, até o elenco do filme Sinhá-Moça, além dos muitos anônimos cujas histórias certamente não são tão interessantes assim, mas que merecem a citação, pois a história não é feita somente pelo viés dos mais importantes não é mesmo? Elihu Root é um lugar forte, é uma viagem ao passado, um elo interessante, que ainda hoje une um país em formação a outro maduro, cheio de história e respeito pela história. Espero que nosso jovem país aprenda isso, e que a estação Elihu Root sirva como um sinal de despertar neste sentido. Se é que alguém está prestando atenção nela ou em mim, né? De lá, seguimos para Loreto… >>

17/04/18

ALFERES RODRIGUES

ALFERES_RODRIGUES

Com a porteira fechada, uma placa de Jesus e outra de um Pitbull bravo fixadas nela, eu deveria decidir o quanto queria mesmo conhecê-la de perto, pois dali em diante, tudo o que acontecesse obviamente seria de minha total “irresponsabilidade”. Aguardei alguns momentos e ao ver um veículo passar, questionei-os (eram dois), sobre se poderia entrar no local e me disseram que apesar dos avisos, eu deveria tentar (hummm…), sendo assim, lá fui eu para os braços de Jesus ou para a boca do Pitbull. Pulei a porteira e segui por uns 400, 500 metros no recorte por onde a linha passava até ver de frente o prédio e seus frontões. Cheguei devagar, quieto e quando estava bem próximo, pensei: E o Pitbull? Como correr 500 metros de um animal desses? (Lembrando que peso uns 125kg) Enfim, bati palmas a fim de encontrar Jesus antes do Pitbull, pois sempre vejo pessoas batendo palmas em igrejas e templos e isso costuma dar certo, e deu. Saiu da estação depois de um tempo, um homem de aproximadamente 50 e poucos anos, muito ressabiado…>>

05/07/17

MESTRE NOGUEIRA

MESTRE NOGUEIRA

O que mais me causou curiosidade (vejam o mini-filme), foi a televisão solitária no chão da sala de espera, possivelmente aguardando espectadores? Rerere… Depois dessa cena “Sui generis”, fui atrás de alguém que, por ali, pudesse me dar maiores detalhes e histórias do lugar, mas fora os cães, não encontrei ninguém ali naquele momento. Mestre Nogueira está lá, ainda em pé, desprovida de função prática, mas segue forte, como um corpo doente, frágil e esquecido por todos. Triste assim, mas real. De lá segui meu caminho, sempre correndo para aproveitar a luz do Sol e documentar mais uma estação…>>

21/06/17

PRATÁPOLIS

PRATAPOLIS

Passei por Pratápolis num final de semana em que ia até a represa de Furnas, para uma tradicional pescaria com os amigos e, sendo assim, aproveitei a jornada para documentar aquele trecho do Ramal de Passos. A estação, como poderão ver nas imagens e mini-filme, estava em muito bom estado, tendo sido reformada e pintada recentemente. Por ali, ainda estão todos os elementos do universo ferroviário, o que nos fez ter uma ótima ideia do que o passado nos oferecia em termos de qualidade e perenidade construtiva. Pátio, plataforma coberta, mãos-francesas, dísticos, placas de trens, de altitude, de quilometragem, trechos seccionados da velha linha, casas de turma, caixa-d’água, e, muitos, muitos pombos mesmo, tudo ali, contrastando o amarelo forte das paredes com o azul anil do céu, que insistia em nos brindar, com a sua hipnotizante beleza naquele dia de inverno. A estação não fez apenas de mim, um aficcionado pelo tema, um bobo sorridente…>>