28/06/16

MARACAJU

MARACAJU

Andei por lá, vi tudo com cuidado, cada detalhe, desde a plataforma, passando pela enorme e ainda imponente caixa-d’água com a inscrição “NOB”, pela “garagem” do auto de linha em bom estado bem em frente à estação, procurei o triângulo de reversão que já não existe mais, mas seu local está lá, tomado parcialmente pelo mato, dísticos ainda sobrevivem, enfim, pelas imagens que captei vocês terão uma ótima ideia do estado do local. Nunca fui um romântico e entendo perfeitamente as circunstâncias que levaram muitos trechos, ramais, linhas-tronco à extinção, mas não me peçam para ignorar isso. Simplesmente não consigo. É muito valor, história, trabalho e vida sendo destruídos pela falta de criatividade e capacidade de gestão do bem público… >>

03/05/16

CATITÓ

POSTER CATITO

Chegamos a Catitó depois de muitas tentativas e erros durante o percurso, vindos de Guaranésia. Ao chegarmos, nos demos conta do quão importante é, quando as pessoas tem noção do valor histórico de uma construção daquele porte. Chegamos, entramos, descemos da “Pretona” e fomos andando lentamente até o prédio, sempre de forma pausada e curtindo cada detalhe daquele lindo e conservado lugar. Obviamente fomos tirando fotos e filmando com o celular a beleza do prédio e o seu entorno, sempre tomando todo cuidado para não interferir na privacidade de ninguém e muito menos invadir um lugar particular, mas ao mesmo tempo, documentando para compartilhar a beleza histórica de tudo aquilo ali, com pessoas, que talvez, nunca teriam essa possibilidade… >>

02/05/16

PANDO*

Estive em Pando vindo de Punta del Este e seguindo para Montevideo. É uma cidade pequena, com cerca de 30 mil habitantes e que está localizada na região metropolitana da capital uruguaia. Andei por uns 10 minutos até que encontrei a estação, que, não para a minha surpresa, encontrava-se abandonada e depredada. Pichações, abandono, cheiro de urina e alguns adolescentes curtindo a sua maconha, e bem desconfiados de mim, visto que lá, o consumo é permitido. Fora isso, a realidade ferroviária do nosso vizinho não se difere muito da nossa. Linhas extintas, prédios em ruínas ou abandonados a própria sorte e material rodante enferrujando ou apodrecendo nos pátios dos “talleres” que ainda restam em operação por lá. Andei por toda a estação, apreciei a sua bela arquitetura, lamentei o seu estado e segui viagem. Infelizmente Pando não oferecia muitos atrativos além deste velho prédio… >>

12/04/16

VICTOR SUDRIERS*

VICTOR_SUDRIERS

A ferrugem é abundante, o grande girador, a enorme caixa-d’água, os vagões de madeira, as flores que crescem sobre os antigos desvios abandonados, que cenário! Corri por lá, enquanto a Néia (minha mulher) me seguia e me fotografava com todo aquele furor. Guindaste, plataforma, dísticos, placas, oficinas, cabine de controle, aço, ferro, madeira velha, tudo ali, pronto para ser registrado e, creiam, se eu pudesse, dormiria ali para poder explorar mais e mais, porém, tinha que seguir adiante e novamente acelerei o passo para registrar o máximo que pudesse. Fica aqui registrado o meu agradecimento ao segurança do local, cujo nome me foge da memória, que foi extremamente cordial e me deixou andar pelo local sem ressalvas, ato que, nos dias futuros, eu perceberia ser bastante raro, pois no complexo de Peñarol, nem entrar alguns metros eu pude… >>

29/03/16

JAGUARIÚNA (MOGIANA)

JAGUARIUNA MOGIANA

Andei por cada lugar ali e acompanhei a linha a pé até a Parada Jaguary, que fica depois da enorme ponte de concreto que leva a linha da ABPF até Carlos Gomes e Anhumas, tudo num calor de matar e encontrando um pessoal “não muito amistoso” embaixo da ponte, mas no final, tudo deu certo. Meu sobrinho Jeferson me acompanhou nessa caminhada escaldante e dela, trouxemos grandes momentos. Jaguariúna é um lugar cativante, com um ar clássico, tradicional, histórico e saudosista. As palmeiras imperiais dão um toque todo especial e são a cereja do bolo do lugar. O prédio foi modificado em relação ao original, tendo sido fechado nas extremidades, mas sinceramente, perto dos absurdos que estou acostumado a ver por este país sem memória, nem acho que ficou ruim não. Por lá há muita vida, um ar de atualidade em meio ao passado explícito e essa amálgama me fez bem. De lá, seguimos para Carlos Gomes Nova, que é uma outra história… >>

24/03/16

BOSA*

BOSA

Inaugurada em 1899 a estação de Bosa tem, por onde quer que se pesquise, uma relevância interessante no tocante a sua arquitetura (?) que, sinceramente, estive no local e pude ver que não é nada demais, perto dos espetaculares prédios que temos enfurnados pelo interior do Brasil. Mas enfim, voltemos a Bosa, que era uma estação para escoamento de produtos agrícolas da região e que hoje fica as margens de uma grande rodovia denominada Autopista Sur. Chegar até ela não foi fácil, ninguém em Bogotá (motoristas de taxis) sabia muito a seu respeito, meu espanhol é parco, mas meu gestual e minha perseverança compensaram tudo isso… >>

24/03/16

ASSIS

ASSIS

Estive em Assis enquanto seguia viagem para o Mato Grosso do Sul e me acompanhavam pela jornada, a minha mulher Claudinéia de Marchi, meu sobrinho, e mais antigo parceiro de expedições, Jeferson Tomaz e a minha irmã, Carolina Tomaz. Mesmo assim, fiz questão de que parássemos em Assis para documentarmos a antiga estação da Sorocabana que, sinceramente já não inspira mais tantos olhares, como certamente já fez há tempos. Andei por lá, vi detalhes, senti na pele a energia que emana do lugar, andei sob o sol pelo seu grande pátio, vi a vila ferroviária, seus galpões antigos, os desvios, as placas na plataforma, a indicação da data de inaguração na porta em concreto, os detalhes das mãos-francesas em ferro, o prédio em dois pavimentos, a antiga locomotiva manobreira ornamental ao seu lado, tudo abandonado ou, se não, bastante descuidado… >>

22/03/16

ITAÚ DE MINAS

POSTER ITAU

Era um dia maravilhoso e passávamos por Itaú de Minas seguindo para Furnas, daí o mais natural foi realmente pararmos para conhecer aquela joia que é a velha estaçãozinha da Mogiana em terras mineiras. Tudo muito conservado (fora reformada recentemente), linha, vagões, plataforma, postes, placas, caixa-d’água, dísticos… Nossa, quanta memória preservada! Estavam comigo amigos queridos e exploramos cada detalhe que ela nos permitiu. Fotos, vídeos, conversa com moradores, o sol no rosto, enfim, tudo fluiu de maneira perfeita naquele dia e lugar. Itaú foi inagurada em 1921, batizou a cidade e também a indústria de cimento que se localizava ali ao lado da estação. Itaú foi de fato, ponta do ramal de Passos por anos… >>

27/02/16

RECANTO

RECANTO

Recanto possui uma cabine de controle em madeira, que está se desmanchando, mantém dísticos em relevo e legíveis, placas de quilometragem e altitude, plataforma, mãos-francesas típicas da Companhia Paulista, enfim, está ali, afundada num nível abaixo da rodovia, quase que misturada ao mato que a cerca. Pouco a frente da cabine, há a saída do ramal de Piracicaba, há tempos desativado e muita coisa jogada ao lado da linha, num cenário digamos, não muito agradável. Enquanto estávamos por ali, pudemos refletir sobre o que realmente estes pequenos lugares significam hoje em dia. Seriam eles “oásis” históricos, onde se guardam memórias e fragmentos importantes de um tempo que não volta mais, ou são apenas restos que teimam em não ruir, desafiando o pragmatismo humano pelo tempo que conseguirem? … >>

20/02/16

PEDREIRA

PEDREIRA

Estive em Pedreira por três vezes e em todas elas pude ver um “mundaréu” de gente ao redor do prédio da velha estaçãozinha do ramal de Amparo. Como o local hoje é uma referência em comércio de artigos de artesanato, cerâmicas e afins, a vida ferve por ali nos finais de semana e feriados. O prédio está bem conservado, foi pintado recentemente de amarelo, e pelo que pesquisei, já foi azul e bege antes de assumir essa cor atual. Fica no meio de uma avenida/rodovia que liga Jaguaríuna a Amparo e chama a atenção de quem passa por ali. Andei, entrei, fotografei, filmei, especulei, admirei e vivi aquele momento da melhor maneira que pude, para que, exatamente como agora, eu o pudesse reviver em detalhes ao escrever este texto. Por lá, não havia placas de altitude, nem de quilometragem, também não encontrei a antiga caixa-d’água, e nem trechos de linha, desvios ou qualquer coisa que lembrasse o universo férreo, exceto claro, a própria estação. Plataforma, dísticos legíveis e cobertura suportada por mãos-francesas na entrada dos banheiros ainda estão lá e ao que parece… >>